Diverticulose
É a presença de pequenas bolsas, chamadas divertículos, que se formam na parede do intestino grosso. Muitas vezes é apenas um achado em exame e não causa sintomas.
Ter divertículos no intestino é muito comum e, na maioria das pessoas, não significa ter uma doença. O problema surge quando aparecem sintomas ou inflamação. Entenda as diferenças, os sinais de alerta e como é feito o tratamento atualmente.
Os termos parecem semelhantes, mas representam situações diferentes. Saber essa diferença evita preocupação desnecessária e também ajuda a reconhecer quando uma avaliação médica é importante.
É a presença de pequenas bolsas, chamadas divertículos, que se formam na parede do intestino grosso. Muitas vezes é apenas um achado em exame e não causa sintomas.
É o termo utilizado quando os divertículos estão associados a sintomas ou complicações. Alguns pacientes podem ter desconforto recorrente sem apresentar uma crise aguda de diverticulite.
É um processo inflamatório relacionado aos divertículos e aos tecidos ao redor. Pode ser não complicada ou, em alguns casos, evoluir com abscesso, perfuração, fístula ou obstrução.

Eles aparecem com maior frequência com o avanço da idade e são especialmente comuns no cólon sigmoide, localizado na parte inferior esquerda do abdome.
Ter divertículos, por si só, não significa estar doente. A maioria das pessoas nunca terá uma complicação importante. Quando um divertículo inflama, surge a diverticulite.
A apresentação pode variar. O sintoma mais característico é dor na parte inferior esquerda do abdome, mas outros sinais podem estar presentes.
Frequentemente localizada na fossa ilíaca esquerda.
Pode ocorrer especialmente quando há inflamação mais evidente.
Constipação, diarreia, gases ou mudança do hábito intestinal.
Alguns pacientes apresentam inapetência, náusea ou indisposição.
A avaliação clínica é fundamental porque outras doenças podem causar sintomas semelhantes. Exames são solicitados conforme a intensidade, a idade, o histórico e os sinais encontrados no exame físico.
História dos sintomas, duração da dor, febre, hábito intestinal, medicamentos, crises anteriores e exame físico.
Hemograma, proteína C reativa e outros exames podem ser úteis conforme a apresentação clínica.
A tomografia pode confirmar o diagnóstico, avaliar a extensão da inflamação e identificar abscesso, perfuração ou outras causas de dor.
Não necessariamente. Essa é uma das principais mudanças no tratamento da diverticulite nos últimos anos.
Isso não significa que o antibiótico deixou de ser importante. Ele continua indicado ou fortemente considerado quando existem fatores de maior risco, doença complicada, imunossupressão, repercussão sistêmica, abscesso, fragilidade clínica ou piora do quadro.
A decisão deve ser individualizada após avaliação médica. Automedicação com antibióticos não é recomendada.
Alguns pacientes podem ser tratados em casa, com acompanhamento e reavaliação.
A indicação depende da gravidade e das características do paciente.
Reservada para pacientes que necessitam de hidratação, analgesia ou monitorização hospitalar.
Abscessos, perfuração ou outras complicações podem exigir drenagem ou cirurgia.

A maioria das diverticulites pode evoluir favoravelmente, mas alguns pacientes desenvolvem complicações. Entre elas estão abscesso, perfuração, peritonite, fístula e obstrução intestinal.
Nesses casos, o tratamento é definido de acordo com o quadro clínico e com os achados da tomografia. Alguns abscessos respondem a antibiótico; outros podem necessitar de drenagem. A cirurgia é indicada em situações específicas.
Dor intensa ou progressiva, febre importante, vômitos persistentes, distensão abdominal, incapacidade de ingerir líquidos, desmaio ou piora acentuada do estado geral exigem avaliação imediata.
Depende. A necessidade leva em conta se o episódio foi complicado, se foi a primeira crise, quando foi realizada a última colonoscopia e se existem sinais de alarme. Quando indicada, a colonoscopia costuma ser realizada após a resolução da fase aguda.
Algumas pessoas continuam com dor, distensão, gases ou alteração do hábito intestinal mesmo depois de a inflamação ter desaparecido.
Não. Essa recomendação antiga não é sustentada pela evidência atual.
O mais importante é manter um padrão alimentar de boa qualidade, com fibras provenientes de alimentos, além de cuidar de outros fatores de estilo de vida.

Algumas orientações tradicionais foram revistas à medida que novos estudos mostraram melhor a história natural da diverticulite.
Não há recomendação atual para proibir sementes, castanhas ou pipoca de forma rotineira.
Em pacientes selecionados com doença não complicada, o uso pode ser seletivo.
Muitos casos não complicados podem ser tratados ambulatorialmente.
A cirurgia eletiva hoje é individualizada e não depende apenas do número de episódios.
O risco de apresentação complicada pode ser maior já no primeiro episódio.
Nem sempre é nova diverticulite; outras causas e hipersensibilidade visceral devem ser consideradas.
A ideia antiga de operar automaticamente após determinado número de crises foi abandonada. A decisão deve levar em conta o conjunto do caso.
Procure um pronto atendimento diante de dor abdominal intensa ou progressiva, febre alta ou persistente, vômitos repetidos, incapacidade de ingerir líquidos, distensão abdominal importante, desmaio, sangramento intestinal importante ou piora significativa do estado geral.

Gastroenterologista, Endoscopista Digestivo e Cirurgião Geral.
A avaliação da doença diverticular pode envolver sintomas intestinais, exames laboratoriais, tomografia, colonoscopia e, em situações específicas, discussão de tratamento cirúrgico. A atuação integrada permite analisar todas essas etapas de forma individualizada.
Diverticulose sem sintomas geralmente não exige tratamento específico. O foco costuma ser alimentação de boa qualidade, hábitos saudáveis e acompanhamento de acordo com a idade e os demais fatores clínicos.
Em geral, sim. A recomendação antiga de evitar rotineiramente sementes, castanhas, amendoim ou pipoca não é sustentada pela evidência atual.
Não. Alguns casos leves e não complicados, em pacientes adequadamente selecionados, podem ser tratados sem antibiótico. A decisão deve ser médica e individualizada.
Não necessariamente em todas as situações. A tomografia é particularmente útil quando existe dúvida diagnóstica, quadro mais intenso, suspeita de complicação ou necessidade de definir melhor a extensão da doença.
A indicação depende da gravidade do episódio, da qualidade e data da colonoscopia anterior e da presença de sinais de alarme. Quando necessária, costuma ser adiada até a resolução da fase aguda.
Não existe um número fixo de crises que obrigue à cirurgia. A decisão é individualizada, considerando gravidade, frequência, qualidade de vida, sintomas persistentes, complicações, condições clínicas e preferência do paciente.
Nem sempre. Alguns pacientes mantêm dor, distensão ou alteração intestinal mesmo sem inflamação ativa. Uma avaliação pode ajudar a excluir recorrência, outras doenças ou hipersensibilidade visceral pós-diverticulite.
Uma avaliação especializada ajuda a diferenciar um simples achado de diverticulose, doença diverticular sintomática, nova crise de diverticulite e outras causas de sintomas intestinais — além de definir quando exames ou colonoscopia são realmente necessários.