Diarreia e alterações intestinais
Diarreia crônica, fezes volumosas ou gordurosas, constipação e mudanças persistentes do hábito intestinal podem ocorrer.
Uma reação imunológica ao glúten pode inflamar o intestino, achatar as vilosidades e prejudicar a absorção de nutrientes — mesmo quando os sintomas não parecem “intestinais”.
A doença celíaca é uma condição imunomediada desencadeada pela exposição ao glúten em pessoas geneticamente predispostas.
O intestino delgado possui pequenas estruturas chamadas vilosidades. Elas funcionam como milhões de “cabelinhos” que aumentam muito a superfície disponível para absorver ferro, vitaminas e outros nutrientes.
Na doença celíaca ativa, o contato com o glúten desencadeia uma reação do sistema imunológico. Essa inflamação pode deixar as vilosidades progressivamente achatadas, reduzindo a capacidade de absorção.
Quando o glúten é retirado de forma rigorosa, a inflamação tende a diminuir e as vilosidades podem se recuperar ao longo do tempo.
Um intestino saudável lembra um carpete com fibras altas. Na doença celíaca ativa, a inflamação vai deixando esse “carpete” mais raso. Com a retirada adequada do glúten, a mucosa pode recuperar sua arquitetura.

A apresentação é muito variável. Algumas pessoas têm sintomas digestivos marcantes; outras apresentam alterações fora do intestino ou poucos sintomas.
Diarreia crônica, fezes volumosas ou gordurosas, constipação e mudanças persistentes do hábito intestinal podem ocorrer.
Estufamento, excesso de gases, desconforto e dor abdominal estão entre as manifestações possíveis.
A lesão das vilosidades pode comprometer a absorção de nutrientes e, em apresentações mais importantes, causar perda ponderal.
Anemia por deficiência de ferro, alterações de folato, vitamina B12 e vitamina D podem fazer parte do quadro.
Osteopenia, osteoporose, aftas recorrentes, alterações de enzimas hepáticas e algumas manifestações neurológicas podem estar associadas.
A ausência de diarreia não exclui doença celíaca. Algumas pessoas são diagnosticadas durante investigação de alterações laboratoriais ou grupos de risco.
O diagnóstico é construído a partir da história clínica, exames de sangue e, quando indicada, endoscopia digestiva alta com biópsias adequadas do duodeno.
Começar uma dieta sem glúten por conta própria pode fazer a sorologia diminuir e a mucosa intestinal começar a se recuperar, dificultando a confirmação do diagnóstico.
Sintomas, histórico familiar, doenças associadas e sinais de má absorção ajudam a definir a suspeita.
Em geral, a investigação inicial utiliza anti-TG2/tTG IgA associado à dosagem de IgA total.
Quando indicada, a endoscopia permite obter vários fragmentos do duodeno para avaliar as vilosidades ao microscópio.
Testes genéticos HLA-DQ2/DQ8 e outras estratégias podem ser úteis quando existem dúvidas ou resultados discordantes.

Em adultos, a endoscopia com biópsias duodenais continua tendo papel muito importante na confirmação da doença celíaca.
Diretrizes europeias mais recentes admitem, entretanto, uma estratégia sem biópsia em adultos cuidadosamente selecionados, diante de níveis muito elevados de anti-TG2 IgA, confirmação em nova amostra e contexto clínico apropriado.
Essa possibilidade não significa que todo exame de sangue positivo dispense endoscopia. A decisão precisa considerar idade, sintomas, sinais de alarme, nível dos anticorpos e particularidades de cada paciente.
A doença celíaca pode não atingir todo o duodeno de maneira uniforme. Por isso, quando a endoscopia é utilizada para investigação, é importante obter múltiplos fragmentos, incluindo amostras da segunda porção do duodeno e do bulbo.
O tratamento padrão da doença celíaca é a retirada permanente do glúten, incluindo trigo, centeio, cevada e seus derivados que contenham glúten.
O cuidado não se resume a evitar pão e massas. Contaminação cruzada e glúten oculto também precisam ser considerados.
Acompanhamento nutricional especializado ajuda a manter uma alimentação equilibrada, identificar fontes inadvertidas de glúten e corrigir eventuais deficiências nutricionais.
Aveia certificada sem glúten pode ser consumida pela maioria dos pacientes, com avaliação individual.

Sintomas, anticorpos e recuperação das vilosidades podem evoluir em velocidades diferentes.
Podem melhorar relativamente cedo após a retirada do glúten, mas isso não comprova recuperação completa da mucosa.
Anticorpos persistentemente elevados sugerem exposição contínua. Porém, resultado negativo não garante cicatrização das vilosidades.
O acompanhamento pode incluir avaliação clínica, nutricional, exames laboratoriais e, em situações selecionadas, nova endoscopia.
Melhorar quando deixa de comer pão não é suficiente para diagnosticar doença celíaca.
É uma doença imunomediada relacionada ao glúten, capaz de provocar lesão da mucosa do intestino delgado.
É uma reação alérgica a componentes do trigo e possui mecanismos, investigação e manejo diferentes.
É considerada após excluir doença celíaca e alergia ao trigo. Em algumas pessoas, outros componentes do trigo, como frutanos, podem participar dos sintomas.
Se existe suspeita de doença celíaca, o ideal é investigar antes de retirar o glúten. A dieta pode alterar os exames e dificultar a confirmação posterior.
Depende do contexto. Em muitos adultos, a confirmação ainda envolve endoscopia e biópsias. Existem critérios recentes que permitem diagnóstico sem biópsia em alguns adultos cuidadosamente selecionados.
Não. Esses genes indicam predisposição e são encontrados em muitas pessoas que nunca desenvolverão a doença. O teste é mais útil em situações específicas de dúvida diagnóstica.
Na maioria dos casos, aveia certificada sem glúten pode fazer parte da dieta. A aveia comum frequentemente apresenta risco de contaminação por cereais que contêm glúten.
Familiares de primeiro grau apresentam risco maior que a população geral. A necessidade e a estratégia de investigação devem ser discutidas individualmente.
A doença celíaca requer dieta sem glúten permanente. A normalização dos anticorpos é um dado favorável, mas não comprova sozinha que a mucosa intestinal esteja completamente recuperada.

A investigação da doença celíaca pode exigir integração entre sintomas, exames laboratoriais e achados endoscópicos e histológicos. Uma avaliação adequada também ajuda a evitar dois problemas comuns: retirar o glúten antes de concluir a investigação ou atribuir ao glúten sintomas que podem ter outra causa.
Atendimento presencial em Alphaville e consulta online.
Antes de retirar o glúten da alimentação, converse com um médico para planejar a investigação de forma adequada.